Nesta quarta-feira, 22 de fevereiro, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic). Desse modo, a taxa de juros anual caiu de 13% para 12,25% ao ano.
A redução da deve ser vista como de fato é: apenas um bom sinal. Isso significa que ainda não é momento de comemorar. É como o agricultor, sofrido pelo verão seco, vendo uma nuvem no horizonte. Ele espera, mas ainda não comemora a chuva que não caiu. Os juros ainda estão muito altos. Considerando o controle da inflação acumulada nos últimos meses, a redução dos juros poderia ter sido até maior.
Agora é esperar as primeiras reações da decisão do Copom. O primeiro reflexo previsto dessa medida é a redução do custo de tomadas de empréstimos. Para o comércio o impacto é positivo. O barateamento do crédito aumenta o consumo, por consequência, estimula o emprego e aquece a economia.
São necessárias reformas estruturais que permitam a manutenção de taxas mais baixas. Medidas que controlem os gastos públicos reforçam essa tendência. Outro gargalo a ser superado é o chamado spread bancário (a diferença entre os juros captado pelos bancos e os juros cobrados dos clientes). Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) demonstram que, mesmo com as últimas quedas de juros, houve aumento do spread.
Notamos que o comércio deve encampar um amplo diálogo público que reforce medidas de estímulo da economia. A taxa de juros é apenas um ponto do diálogo. Nesse debate a Fecomércio tem um papel decisivo. A história da economia brasileira mostra que não há retomada do desenvolvimento que não passe pela valorização do comércio de bens, serviços e turismo.
Wilton Malta é presidente da Fecomércio AL