
A visão do líder e o desafio de liderar para novas gerações foi tema da palestra do professor Leandro Karnal, ontem (24), no Teatro Gustavo Leite, no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em comemoração aos 70 anos da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL). O tema levou o público, que lotou o teatro, a reflexões e garantiu boas gargalhadas. Karnal iniciou abordando a nossa tradição de liderança que, segundo ele, é uma tradição autoritária. Para ele, no mundo tecnológico esse tipo de liderança não funciona mais.
Um dos focos da palestra aponta a função atual de ser um líder. O palestrante deixou claro que a figura do líder capataz deixou de ser possível e apontou algumas situações. Quando ele entra num ambiente todo mundo se transforma. Primeiro problema da liderança capitão do mato torna as pessoas infantis, produz um sentimento de humilhação e inferioridade e o membro da equipe acaba se transformando em um sabotador. Não funciona mais do ponto de vista prático, além de dar problema de ações trabalhistas, pois configura assédio.
Quando trata bem o colaborador, ele começa a produzir o seu melhor. Pessoas entusiasmadas trabalham bem mais. As tarefas físicas repetitivas e sem grande concentração criativa estão sendo feitas por máquinas. No futuro, todas essas tarefas serão feitas por máquinas. O futuro é da inteligência. Ele citou algumas atividades que têm perdido espaço ao longo dos anos, a exemplo dos bancários. Quanto mais o trabalho for automático, mais esse trabalho diminuirá. O que está crescendo nos bancos hoje é o sistema de segurança de informática, programação, softwares.
Para o palestrante, o modelo novo de empresa é aquele em que o líder capataz não tem mais espaço porque essa figura impede o desenvolvimento do grupo e acaba gerando problemas jurídicos. “O líder capataz diminui e impede a liberdade criativa de alguém, transforma colaborador em inimigo e sabotador da empresa. Por vários motivos óbvios não há mais espaço para isso”, afirmou. Ele acrescentou ainda que o autoritarismo não tem espaço fora do sistema escravista, onde já era “terrível”.
Karnal abordou ainda a necessidade da criação autônoma para os filhos. Ele alertou para o prejuízo de mimá-los e deixá-los dependentes. A visão ampla do palestrante citou as profissões fadadas a extinção, falou sobre o atual modelo de ensino e, no seu ponto de vista, como deve ser a função da escola de produção de conhecimento. A importância de tornar as crianças curiosas e, ao adolescente, propor problemas e não repetições.
O palestrante fez comparações do cenário dos últimos anos e apontou que os cinco homens mais ricos e importantes do planeta produzem ideias, softwares, designer. “O futuro pertence a inteligência, a capacidade de criar”, ressaltou. Ele acredita que quase 60% das profissões podem deixar de existir daqui a 40 anos. A palestra reuniu profissionais e estudantes de áreas de atuação variadas.
O palestrante
Karnal é o historiador, doutor em história social pela USP e professor na Unicamp. Ele é convidado de programas como o Jornal da Cultura e café filosófico. Escreveu em autoria ou coautoria mais de dez livros, alguns dos quais estão entre os mais vendidos do Brasil.