O cenário do comércio alagoano foi exposto para os deputados estaduais integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio hoje (17), na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL). O presidente da entidade, Wilton Malta, e a equipe técnica da Federação apresentaram números significativos da importância do setor para a economia do Estado. A proposta é proporcionar o conhecimento necessário do setor para que os parlamentares possam contribuir com o desenvolvimento do setor que mais gera emprego no Estado e tem sido penalizado com a crise econômica e medidas estaduais.
Inicialmente, Malta agradeceu pela criação da Frente Parlamentar e a prontidão dos parlamentares em atender o pleito, pois foi apresentado o requerimento em plenário e composta a Frente, no mês passado.
O assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, começou sua explanação afirmando que a Fecomércio defende a livre iniciativa, estimula o crescimento empresarial, oferece produtos e serviços destinados a gerar mais negócios.
Conforme Felippe, o setor emprega 223 mil colaboradores e detém 71% do PIB do Estado, mas, nos dois últimos anos, perdeu 15 mil colaboradores com carteira assinada devido à crise. Somente as empresas de comércio e serviços representam 84%.
Hoje, existem 156 mil empresas em Alagoas. O número de empresas do setor representado pela Fecomércio corresponde a 132 mil. Já as empresas industriais são 19 mil e, as agrícolas, 5 mil. “Dos 37 bilhões que o estado produz anualmente, 26 bilhões de reais são provenientes do comércio de bens, serviços e turismo”, explicou o economista.
Os cinco maiores empreendimentos em Alagoas pertencem ao comércio. O Estado possui 3 milhões de habitantes, sendo 2,1 milhões da população economicamente ativa.
Os dados apresentaram ainda a quantidade de falência empresarial do setor. Em 2014, foram 711 empresas que faliram. Em 2015, 6.049; em 2016, 2.991 e até agora em 2017, 537. Entre os motivos para a falência estão: carga tributária elevada, alta do desemprego (retração dos consumidores/cliente), inadimplência elevada, crédito escasso e mais caro, falta de planejamento e capital de giro.
Durante a apresentação, a Fecomércio deixou claro o que pretende com a Frente que é auxílio na formação de diretrizes que apoiem o setor, construção de uma agenda legislativa, entre outros pontos. Na pauta, desoneração tributária, revisão dos itens sujeitos ao pagamento do Fecoep, estímulo à qualificação profissional, desburocratização nos processos de licenciamento e funcionamento de empresas, entre outros.
Malta destacou que o fechamento de 15 mil empregos representa muito para o nosso Estado. “O momento econômico no país está muito difícil”, comentou. A assessora técnica da Fecomércio, Izabel Vasconcelos, ressaltou que o número de falências pode ser ainda maior, pois se reporta às empresas que deram baixa na Junta Comercial. Ela aproveitou para afirmar que a ideia da Frente é sempre propositiva. “É levar uma possível sugestão de soluções. Temos o cuidado de está sempre observando o que outros estados com o perfil de Alagoas fazem. Não é só reclamar”, explicou. Segundo ela, no caso do Fecoep, Alagoas tem uma das maiores listas.
A deputada Jó Pereira (PMDB) sugeriu efetivamente a realização de uma audiência pública para socializar a pauta do comércio. Fazer um monitoramento do que o governo do Estado está atendendo. Além da deputada Jó Pereira, participaram os deputados Rodrigo Cunha (PSDB) e Bruno Toledo (PSDB).
A reunião contou também com a participação dos presidentes do Sindilojas Penedo, Ana Luiza Soares; Sirecom, Arthur Guillou e Sincofarma, José Carlos Medeiro. Além dos diretores Regional do Sesc, Willys Albuquerque, e do Senac, Telma Ribeiro.
FRENTE PARLAMENTAR
Atendendo o pleito da Fecomércio AL, os deputados estaduais Tarcizo Freire (PP) e Jó Pereira (PMDB) protocolaram, em março, um requerimento na Assembleia Legislativa solicitando a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Comércio. O requerimento foi lido no expediente do dia 22 de março. Com a Frente, os empresários terão um canal de diálogo dentro da Assembleia Legislativa.