A Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação (CBTI) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizou, recentemente (18/06), no Rio de Janeiro, a primeira reunião de 2015. Este ano, a CBTI tem o objetivo de discutir os impactos das tecnologias de informação e comunicação (TICs) na atividade do comércio e propor recomendações para a expansão do uso dessas tecnologias no setor.
O representante da Fecomércio AL, Jean Paul Neumann, explicou que a dinâmica do encontro favoreceu a discussão acerca de pontos relevantes para o comércio eletrônico, atividade em ampla expansão mesmo em tempos considerados difíceis para a economia.
Para se ter uma ideia, em 2015 o mercado global deverá movimentar hum trilhão de dólares e, em meio a essa estimativa, o Brasil ocupa a 10ª posição. Somente em 2014, as compras virtuais cresceram, em nosso país, 22% em relação ao ano anterior; volume que em termos financeiros responde por 16,28 bilhões de dólares. Para este ano, a previsão é de um crescimento mais tímido, em torno de 14%, mas nem por isso menos significativo, pois responderá pela circulação de 18,8 bilhões.
Essa projeção para o comércio eletrônico é maior do que as vendas realizadas nas lojas físicas das várias partes do país. “O Brasil tem um potencial de crescimento grande, mas ainda está tímido. Dentre os gargalos identificados para uma melhor expansão do comércio eletrônico, podemos considerar questões de infraestrutura, como a velocidade média de 8MB de internet, que é baixa (na Coreia do Sul, por exemplo, é de 24MB), a carga tributária sobre esses serviços e questões de logísticas que esbarram no monopólio estatal”, avalia Jean Paul.
Mesmo esbarrando em dificuldades, o comércio eletrônico é promissor. “Em 2014 foram realizados 103,4 milhões de pedidos com um ticket médio de R$ 340,00. E isso considerando que hoje apenas 13% das empresas realizam comércio eletrônico. Os empresários também devem estar atentos às redes sociais. Cerca de 77% dos brasileiros utilizam a internet para acessar redes sociais, mas apenas 10% das pequenas e médias empresas têm presença na rede”, compara o especialista.
De acordo com Neumann, durante a reunião da CBTI foi levantada a necessidade de orientar o empresário do comércio a fazer uso das novas tecnologias, que vão desde a conscientização quanto ao uso das próprias redes sociais, quanto a questões mais vinculadas à gestão, como software que o auxiliem diante deste mercado, questões de logística e forma de pagamento. Nesse contexto, cita como um dos entraves às lojas virtuais o alto índice de chargeback, quando ocorre o cancelamento de uma venda feita com cartão de débito ou crédito. “Isso atrapalha a entrada dos pequenos e médios comerciantes no comércio eletrônico. Mesmo que uma venda tenha sido autorizada, se a operadora do cartão de crédito descobrir que a compra foi fraudada, ela repassa o prejuízo para o comerciante”, destacou.
Atualmente não existe lei que proteja o comerciante contra a chargeback, que acaba por arcar sozinho com o prejuízo de uma venda, até então, balizada por uma rede de cartão. Em alguns casos, lojas chegaram a ser fechadas. “Grandes lojas têm condições de se valer de serviços de análises de crédito que dá uma margem segura na adoção dos cartões de crédito e cujo custo é diluído no volume de venda. Porém, o pequeno comerciante que optar por implantar um serviço similar de análise de crédito acaba onerando o custo de sua comercialização e se tornando pouco competitivo”, esclareceu.
Para contribuir para a expansão do comércio eletrônico, os debates levantados na reunião irão nortear as próximas ações da CNC.