
O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), Fábio Guedes, apresentou à diretoria da Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio AL) na manhã desta terça-feira, dia 6, os números do desenvolvimento científico e tecnológico de Alagoas.
Recebido pelo presidente da Fecomércio, Wilton Malta, Guedes disse que é importante apresentar os indicadores da ciência e tecnologia ao setor produtivo para fomentar o desenvolvimento de uma atuação conjunta. “Casar os interesses e fazer com que a universidade possa produzir estudos que deem solução tecnológica aos segmentos empresariais”, falou, acrescentando que atualmente 28 grupos de pesquisa integram o governo do Estado, levando a academia e a inteligência a ações em prol da sociedade, a exemplo do Gaeco (grupo de combate à corrupção) e da Sefaz.
Uma das expectativas dos empresários refere-se ao Centro de Desenvolvimento de Tecnologia e Inovação no Polo Jaraguá. Sobre o assunto, Guedes explicou que foram investidos 17 milhões na infraestrutura do Centro e a ideia é, quando pronto, que ele abrigue empresas e serviços tecnológicos, atraindo outros investimentos ao redor, transformando o bairro de Jaraguá num polo de tecnologia.
Indicadores
Abordando o tema “Pesquisa e inovação: desafios e perspectivas em um cenário de incertezas”, Guedes lamentou que, nos últimos anos, o Brasil teve uma redução no orçamento da ciência e do desenvolvimento tecnológico, saindo de um orçamento de 6 bilhões de reais, em 2013, para cerca de 3,5 bilhões de reais em 2017, após ter chegado a quase 12 bilhões entre esses dois marcos temporais. “O Brasil investe menos de 1% de seu orçamento em ciência, enquanto Israel investe pouco mais de 4% em projetos nas áreas de gestão hídrica, alimentos, educação e saúde”, comparou. Percentuais maiores que o brasileiro também são investidos na Coreia do Sul (pouco mais de 4%), Japão (3%) e Alemanha (quase 3%). Guedes criticou a redução contínua desses investimentos num período em que houve crescimento nos números de graduações e pós-graduações.
Demonstrando os indicadores alagoanos, Guedes disse que em 2017 o tesouro estadual repassou 17,96 milhões de reais para a Fapel, número que sobe quando se acrescenta a rubrica convênio, totalizando 22,7 milhões de reais; praticamente 10 milhões a mais do que o repassado em 2010. “Nunca se investiu tanto em Ciência, Tecnologia e Inovação em Alagoas: 111% de crescimento em 2017 com relação a 2010 e 50% em relação a 2014”, observou.
Em 2017, foram investidos 10,11 milhões de reais em bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado e a estimativa para 2018 é de 11,94 milhões de reais. Os investimentos em projetos de pesquisas também foram ampliados, saindo de 0,35 milhões em 2010, abrangendo 40 estudos, para 4,86 milhões em 2017, respondendo por 344 projetos.
Em números gerais, de 2015 a 2018 Alagoas investiu 55 milhões de reais em investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação; 17 milhões de reais na infraestrutura do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias e Inovação no Polo do Jaraguá; lançou 52 editais públicos lançados, sendo 17 em cooperação internacional; investiu 42 milhões de reais em 3 mil bolsas de extensão tecnológica, iniciação científica, mestrado, doutorado e de pesquisa; 13 milhões de reais em auxílios a mais de 650 projetos de pesquisas; apoiou 150 eventos científicos, acadêmicos e tecnológicos no estado e 140 cientistas em participações em eventos com trabalhos (61 destinos internacionais), além de apoiar a produção e lançamento de 80 livros científicos e acadêmicos.
O presidente da Fapeal falou sobre as pesquisas alagoanas que estão se tornando referência nacional, a exemplo da que trata sobre as fendas orais (Ufal), sobre os novos métodos de tratamento gastrointestinais (Uncisal) e sobre o uso da própolis vermelha. Os números da SBPT, recentemente realizada em Maceió, também foram apresentados, dentre eles, a apresentação de 984 trabalhos, 19.489 pessoas inscritas e registradas e 46.594 participantes.
A diretora do Senac, Telma Ribeiro, participou do encontro.