Crise econômica. Essa foi a pauta do Café & Economia, promovido pela Federação de Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), no dia 16, Dia do Comerciante, com o doutor em Economia, professor Cícero Péricles, e a assessora de economia da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Juliana Serapio. O evento aconteceu no Hotel Radisson, na Pajuçara.
O presidente da Fecomércio AL, Wilton Malta, abriu o evento e disse que a proposta é mostrar até onde a crise atingiu Alagoas. Ele parabenizou os comerciantes e destacou ainda a importância do segmento para a economia, apesar da carga tributária elevada.
Juliana Serapio ressaltou que as micros e pequena empresa sempre tiveram um papel fundamental na economia brasileira. Hoje, são mais 10 de milhões de pequenos negócios no Brasil, que geram mais de 50% dos empregos formais e foram as responsáveis pelo saldo positivo, em 2014, na geração de empregos. “Elas sempre viveram com o orçamento controlado e com constantes ameaças, seja pela concorrência ou pela falta de capital para investimentos”, afirmou.
Conforme levantamentos da CNC, o varejo teve o pior trimestre desde 2003 (-0,8%). A assessora explicou que no cenário nacional a renda e os empregos da população estão em queda enquanto a inflação continua a subir. “A baixa confiança do consumidor se dar com a desaceleração do mercado de trabalho, nível de renda do consumidor, elevados juros nos parcelamentos e comprometimento da renda com pagamento de dívidas contraídas”, comentou.
Para mudar a situação da economia, Juliana afirmou ser necessário reduzir gastos e eliminar desperdícios. “É preciso rever todos os custos fixos e variáveis e encontrar soluções como a terceirização de serviços secundários e redução de estoque de produtos menos lucrativos. Identificar tendências de mercado e diferenciar-se com estratégias seria outra maneira de oferecer melhor preço, maior valor agregado, melhorar atendimento ao cliente e reduzir o prazo de entrega. Porque os gastos para manter um cliente são menores do que conquistar um novo, por isso, não é indicado que os cortes nos gastos interfiram na qualidade do relacionamento”, alertou.
CONJUNTURA LOCAL
Com o tema “Conjuntura alagoana 2015 e saídas para crise”, o economista Cícero Péricles explicou que a situação econômica no cenário nacional realmente é preocupante, mas que no contexto local é diferente em decorrência das peculiaridades do Estado. A apresentação de Péricles foi totalmente baseada em números, a exemplo do crescimento da construção civil em Alagoas que registrou um aumento de 256% em dez anos.
Outra referência do economista para obter informações sobre a dinâmica setorial é o consumo de energia, que de acordo com números fornecidos pela Eletrobras, o primeiro semestre de 2015 foi o maior consumo de energia nos últimos três anos na área comercial.
As transferências federais representam outra garantia para comprovar que a economia no Estado não está em baixa. Segundo ele, programas como a previdência social, bolsa família dão garantias à movimentação do comércio. O número de beneficiários na Previdência Social chegam a 500 mil pessoas no Estado, tendo crescido entre dezembro de 2014 e junho de 2015. E ainda tem os programas sociais, a exemplo do Bolsa Família, que alcança 427 mil pessoas, conforme dados de março deste ano.
Além disso, tomando como parâmetro as receitas correntes de Alagoas no período de janeiro a abril de 2015, comparado a 2014, aponta que houve aumento. Como mostra o quadro abaixo. De acordo com o economista, 40% do PIB [Produto Interno Bruto] de Alagoas vem de Brasília.
ALAGOAS: RECEITAS CORRENTES 2014/2015
RECEITAS 2014 (jan./abril) 2015 (jan./abril)
Receita Tributária 992.152.772,05 1.089.651.711,58
Transferências Correntes 1.252.916.075,49 1.310.606.421,44
Receitas Correntes 2.322.047.380,12 2.502.895.284,74
Outro indicador que fortaleceram os argumentos de Péricles foi o aumento no crescimento de novas empresas, o que comprova que o comércio de Alagoas continua atuando fortemente no mercado. Além do aumento de 140 mil funcionários na área comercial.
Usando como base a pesquisa da Fecomércio AL sobre Endividamento do Consumidor esclarece que a economia alagoana não esta em crise, mas que foi a intenção de compra do consumidor que diminuiu. O índice de 2015 registrou 63% de taxa de endividamento, contra 67,3% verificada em 2014. O que comprova que os consumidores estão gastando menos com produtos supérfluos, mostrando um melhoramento no mês de junho quando comparados a maio.
Na ocasião, Péricles afirma que Alagoas tem os subsídios necessários para se manter firme na economia e que as disputas entre empresas continuam de iguais. O efeito da inflação em Alagoas é sentido principalmente nos segmentos C, D e E, e nos itens que formam o Grupo Alimentação. A mudança maior ocorre no comportamento do consumidor alagoano que cessam suas divida, mas não aumenta o número de compra. Lembra ainda que para manter seu público as empresas devem contar com a relação de confiança entre eles. E aconselha estudos maiores sobre a situação econômica no Estado.