Vendas do varejo em AL têm pequena melhora

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O volume de vendas no varejo em Alagoas aumentou 1,3% em abril deste ano na comparação com o mês de março, enquanto que nacionalmente esse índice foi de 0,5%. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada ontem (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entretanto, na comparação com o mês de abril de 2015, o volume de vendas do varejo no estado apresentou recuo em 9,7%. Já no país esse índice foi de 6,7% para o mesmo período. Esses números se referem ao varejo não ampliado, que ignora vendas de automóveis, motocicletas, peças automobilísticas e materiais de construção.

Para o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de Alagoas (Fecomércio), Felippe Rocha, os números alagoanos para o mês de abril são resultado da Páscoa e da campanha “Liquida Alagoas”. Entretanto, ele pondera que no levantamento sobre o varejo ampliado – que incorpora as vendas de automóveis, motocicletas, peças automobilísticas e materiais de construção – o recuo das vendas foi de 11%.

“No varejo não ampliado, a metade das vendas é do setor de alimentos. Já no varejo ampliado, os números negativos mostram que essa retomada do consumo é apenas pontual. Já existem economistas tentando vender a ideia de que chegamos ao fundo do poço. Talvez isso seja verdade e agora seria o momento de pegarmos impulso nesse fundo do poço, mas ainda não há investimentos na economia e nem venda de produtos que sirvam para reanimar economia”, comenta Felippe.

Esse quadro, para o economista, foi provocado pela conjuntura política e pela falta de visão probabilística do empresariado, que não mensura riscos.

“O que quero dizer, grosso modo, é que os empresários já percebiam desde o final de 2014 que o consumo vinha desaquecendo, muito por conta de que há um limite em relação a oferta de trabalho e o quanto pode ser absorvido no mercado de trabalho. Portanto, se não havia mais espaço para contratações e os consumidores já estavam usando crédito demais, uma hora ou outra as famílias ou consumidores iriam parar de consumir desenfreadamente para começar a reorganizar suas vidas financeiras. E ainda houve um choque governamental inesperado”, analisa.

O “choque inesperado” ao qual Felippe se refere é a mudança de postura governamental na realização de investimentos, reduzindo-os e provocando perdas de postos de trabalho.

De acordo com ele, o consumo em Alagoas está caindo consideravelmente. Felippe Rocha diz que o estado vendeu em fevereiro deste ano 7,5% a menos na comparação com o mês anterior, e na comparação entre o mesmo mês de 2015, o recuo foi de 9%. Entretanto, há segmentos que conseguem superar o atual momento econômico.

Receita nominal em Alagoas cresce 3,3% em março

Se o volume de vendas no varejo (não ampliado) em Alagoas, de acordo com o IBGE, está em baixa, a Receita Nominal nesse segmento se encontra em sentido oposto. No mês de abril, no comparativo com o mês de março, o crescimento foi de 3,3% e no ano, desde o mês de janeiro, foi de 3,7%.

“Isso é sinal de que o aumento de preços, apesar de ter diminuído o consumo, serviu para os empresários se mantiverem com receitas maiores do que o ano passado. Não é lucro, é receita. Seus custos aumentaram também”, explica.

Mas no comparativo entre abril deste ano e o mesmo mês de 2015, o índice da receita nominal do varejo (não ampliado) foi negativo em 0,7%.

Já na receita nominal do varejo ampliado recuou em 0,6% na comparação entre abril e março deste ano e recuou em 2,9% na relação com abril de 2015.

CONFIANÇA

Na última segunda-feira (13), o Instituto Fecomércio-AL de Estudos, Pesquisas e Desenvolvimento (IFEPD) divulgou o Índice de Confiança do Empresário (ICEC) de Maceió, cujo patamar registrado em maio foi de 79,2 pontos, o mesmo atingido no mês de abril.

Mesmo alcançando pontuação abaixo de 100 pontos, o que significa pessimismo diante do atual cenário econômico, o ICEC apontou que pequenas mudanças ocorreram na percepção dos empresários diante do presente e do futuro em médio prazo, e também sobre as decisões de investimentos.

O estudo busca mensurar níveis de estoque, necessidade de contração e investimentos realizados para permitir observar os momentos negativos ou positivos em relação à atividade econômica.

Segundo Felippe Rocha, o setor é sensível às demandas dos consumidores, à atuação de outros empresários e às ações de governo, cujas medidas podem ou não trazer mudanças bruscas e acarretarem aumento ou diminuição nas vendas.

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