Diálogos: para o bem e para a prosperidade

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Já se tornou um clichê afirmar que 2016 foi um ano de grandes turbulências. Ainda restando um trimestre para a chegada do próximo calendário, vivemos nesses nove meses a dolorosa combinação de instabilidade política e econômica. Alagoas não foi exceção à regra e, assim como o restante da Federação, sofreu os impactos desses tempos difíceis. Alagoas acaba de eleger 101 prefeitos (a disputa em Maceió ainda está aberta). Coincidência ou não, o fim do período eleitoral vem acompanhado de indicadores de estabilização econômica. A Fecomércio AL analisa esses cenários como as primeiras pombas que voltam à arca depois do Dilúvio. É hora de refletir sobre os rumos dos municípios alagoanos. O desenvolvimento do comércio de bens, serviços e turismo tem aqui um papel decisivo.
Um fato nos chama a atenção nos recentes resultados eleitorais: o alto índice de votos nulos, branco e abstenções. Aproximadamente um terço do eleitorado escolheu o candidato “nenhum”. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o índice de votos nulos, brancos e abstenções superou o primeiro ou o segundo colocado em 22 das 27 capitais brasileiras. A abstenção no Primeiro Turno de 2016 superou as eleições de 2012 e 2008. A média alagoana não se afasta da média nacional e revela uma significativa desconfiança política. Os recentes escândalos envolvendo parte do estamento político nacional acentuaram esses índices, mas devemos reconhecer que o ambiente de desconfiança não se restringiu à política, também se estendendo à economia.
Quando não pensamos sistemicamente podemos esquecer que eleitor e consumidor são faces distintas de um ser integral: o cidadão. Ora, o cidadão que está preocupado com emprego e renda é o mesmo cidadão que vota e é votado. Desconfiança se combate com previsibilidade. É preciso elaborar cenários que estimulem o empreendedorismo, elemento basilar para a diversificação da economia e geração de renda. É preciso uma agenda suprapartidária que contemple interesses do mercado e do setor público. A desoneração fiscal e tributária e o debate amplo sobre a reforma trabalhista são centrais para uma política econômica segura: previsível.
Acompanhamos com expectativa o debate municipalista. Há evidente necessidade de ações que promovam a melhoria na arrecadação municipal. Porém, lembramos que o fortalecimento da iniciativa privada ainda é o caminho mais sólido para geração de emprego e renda em municípios numa economia de mercado, como é o Brasil. Por outro lado, o aumento na autonomia política dos municípios exige uma significativa modernização da gestão. A Fecomércio AL oferece sua expertise para a construção de uma agenda voltada para o desenvolvimento municipal.
Precisamos de uma agenda intersetorial. Ad bonum et prosperitatem (Para o bem e para prosperidade) como bem nos lembra o lema de Alagoas, nosso Estado.
*Wilton Malta – Presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL)

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