Que País é esse? Ascensão e queda da economia brasileira

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Ao caminhar pelas ruas do comércio de Arapiraca ou de Maceió lembro quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. Naquele tempo o Brasil crescia a “ritmo chinês”, como se dizia, e a eleição de país sede de dois importantíssimos eventos representava uma reverência da comunidade internacional ao surgimento de uma vigorosa potência do hemisfério sul. Em 2010, a economia brasileira cresceu 7,5%, superando significativamente a média internacional, de 5,2%. Desconcerta relembrar daqueles dados ao ler que atualmente vivemos a pior crise de nossa história.
Segundo a Confederação Nacional do Comércio, em 2016, 108 mil estabelecimentos comerciais fecharam suas portas. De acordo com o IBGE, no ano passado, o comércio vendeu 6,2% a menos que em 2015. Dados do Instituto Fecomércio de Alagoas, referente ao mês de janeiro deste ano, indicam recessão ou estagnação do comércio em 2017. A economia brasileira tem sido pródiga em números preocupantes. Poderíamos escrever alguns textos apenas recitando-os. Mas é preciso refletir sobre as razões que mudaram o cenário econômico tanto em tão pouco tempo.
Até que ponto o abandono da política econômica dos anos 1990, alicerçadas no tripé que combinava metas fiscais, controle da inflação e câmbio flutuante, contribuiu para a desaceleração da economia? É possível que o sucesso econômico do Brasil tenha sido mais um efeito do clima econômico internacional do que mérito da política econômica dos anos 2000.
Por outro lado, muitos consideram que o Brasil “perdeu o bonde” de implantar importantes reformas estruturais durante a época da bonança. Sérias reformas tributária e trabalhista nos idos de 2003 – 2010 teriam dado um fôlego que certamente está fazendo falta hoje.
Teria sido a crise política (como o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff) uma alavanca para a crise econômica ou seria ela um efeito do descontentamento com a economia?
“Que país é esse?” é uma pergunta dura, mas que não podemos nos furtar de responder. É papel do setor produtivo debater seriamente as mudanças da economia. São questões que apelam para a ideologia de uns, para a razão de poucos, mas, com certeza, para o bolso de todos.
Post Scriptum: Este é o primeiro de uma série de quatro textos.
Wilton Malta – Presidente da Fecomércio – AL.

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