A logística reversa dos pneus foi o assunto abordado, hoje (17), na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL), em reunião com o presidente da entidade, Wilton Malta; o secretário de Estado de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos (Semarh), Alexandre Ayres; o diretor da Reciclanip, César Faccio; o representante da Federação na Câmara de Meio Ambiente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Vagner Cavalcanti; e representantes de empresas do segmento.
A procura pela Fecomércio visa buscar o apoio da entidade para trabalhar junto ao comércio o descarte correto desse material. Em Alagoas, apenas Maceió e Arapiraca possuem pontos de coletas. Considerando que o Estado possui 102 municípios, a ideia é criar sete regiões de forma a ampliar a arrecadação de pneus com pontos de coletas em Delmiro Gouveia, Inhapi, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Campo Alegre e Boca da Mata, além dos já existentes na capital e no agreste.
O presidente da Fecomércio, Wilton Malta, considera a discussão importante e defende que é papel da entidade discutir soluções para o empresariado. “Que essa casa possa contribuir para o que se pode fazer nesse mecanismo de logística reversa”, dispôs. A ideia é que a Federação contribua com a mobilização dos estabelecimentos visando estimular a formação de convênios entre essas empresas e as montadoras de pneus, contando com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente a fim de dar condições para que essa cadeia possa ser completa.
O secretário Alexandre Ayres foi taxativo ao afirmar que não dá para proteger, preservar o meio ambiente e realizar a coleta seletiva se não houver participação da sociedade e do empresariado. “É uma responsabilidade compartilhada. Se a gente não tiver o protagonismo da sociedade, não conseguiremos avançar”, pontuo, acrescentando que essa participação é vital para se sair do campo do discurso para se colocar em pratica a política do meio ambiente.
De acordo com o secretário, em outubro do ano passado foi realizada uma campanha experimental que recolheu, em 15 dias, 8 mil pneus em 15 municípios alagoanos. Ele reforçou que esse recolhimento não é só questão ambiental, mas também de saúde, uma vez que os pneus acabam sendo foco de reprodução do Aedes Aegypti, mosquito transmissor dos vírus da dengue, zika e chikungunya.
O diretor da Reciclanip, César Faccio, reforçou a necessidade de uma mudança cultural na cadeia produtora e consumidora, bem como estrutura os pontos de coleta. “Não tem como cobrar uma postura do consumidor se não der condições para que faça o descarte correto”, disse. Segundo Faccio, comparada com as regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, as regiões Norte e Nordeste possuem uma defasagem de pontos de coleta. Em Alagoas, por exemplo, existem apenas dois pontos e um local para triturar o material recolhido, que é uma cimenteira em São Miguel, onde nem sempre é possível realizar o processo, sendo preciso que o material seja levado para uma trituradora em Feira de Santana, na Bahia. “Nós não podemos viver de campanhas. Elas servem para resolver um problema iminente, mas precisamos mudar essa cultura. Por isso, precisamos do apoio do comércio para trazer para discussão outros pontos da cadeia do pneu, como importadoras, supermercados e borracharias. Se tivermos pontos bem distribuídos, teremos o descarte correto”, ponderou.
Sobre o pleito, Malta lembrou que a Fecomércio realizará, na próxima segunda-feira (24), o Encontro com Prefeitos, o que considerou um momento oportuno para conversar com os gestores no sentido de reforçar o pedido de apoio dos municípios nesse processo.
Atualmente há uma Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determinando que cidades com mais de 100 mil habitantes devem ter pontos de coletas desse produto. E para que esse serviço seja ampliado, a Reciclanip estimula consórcios entre os municípios, fazendo com que os municípios obrigados a recolher também recolham pneus das cidades em seu entorno. O comércio seria o responsável por providenciar a arrecadação nos pontos e conduzir ao local de descarte correto, conforme prevê a legislação de logística reversa. “Isso vai ser uma constante, pois o comércio vai ter que se adaptar a essa legislação. Seja fabricante, distribuidor ou produtor deverá ter esse certificado de descarte correto”, observou o secretário.
Algumas ideias foram propostas entre os participantes, como a relocação de container para coleta que estão dispostos no Farol, na Praça Centenário, e na Ponta Verde para a área do Vergel do Lago, onde teria mais utilidade por ser aquela uma região que concentra boa parte das borracharias da capital. A estruturação de postos volantes também foi sugerida, assim como uma campanha de bonificação do borracheiro. Para dar sequência à discussão, ficou definido que a Fecomércio irá preparar um informe sucinto e objetivo para ser distribuído em sua base e mobilizar empresários do segmento para uma reunião futura, a qual contará com o apoio da secretaria de Meio Ambiente.
O encontro de hoje contou, ainda, com a participação dos presidentes do Sindilojas Penedo, Ana Luiza Soares; Sirecom, Arthur Guillou e Sincofarma, José Carlos Medeiro; além dos diretores Regional do Sesc, Willys Albuquerque, e do Senac, Telma Ribeiro e o corpo técnico da Federação.